Tempo para a Criação

 

Tempo para a Criação 2018

1 Setembro a 4 Outubro, em comunhão com os cristãos de todo o mundo

A rede Cuidar da Casa Comum – a Igreja ao serviço da ecologia integral, correspondendo ao apelo do papa Francisco, promoveu, ao longo do mês de Setembro, um conjunto de iniciativas para celebrar e agradecer a Criação, incentivar o cuidado da casa comum, apelar à conversão ecológica e dinamizar as comunidades cristãs com vista a uma ecologia integral e a uma espiritualidade ecológica. Os textos de reflexão e sugestões de oração de membros e amigos da Rede constituem uma riqueza que continuará disponível no site.

Também somos Terra

Este Tempo para a Criação teve o seu ponto alto no encontro Também somos Terra, que se realizou no Seminário de Almada em 29 de Setembro, com a participação de perto de 100 pessoas. Foi uma jornada muito rica, graças aos diversos contributos que foram partilhados e que também disponibilizamos aqui (à medida que os autores no-los facultarem).

Na parte da manhã, no Painel “Também somos Terra”, apresentaram comunicações, escutadas com visível interesse, Juan Ambrósio (pp e guião de leitura), Francisco Ferreira (aqui dividida em partes 1, 2 e 3)  e Manuela Silva, tendo-se seguido um período de diálogo muito participado.

Ao fim da manhã fez-se uma Caminhada Orante, que levou @s participantes a percorrerem os caminhos do espaço exterior do seminário, contemplando, meditando, dialogando, em várias etapas. (Guião preparado para imprimir em formato de livrinho, aqui.)

O almoço partilhado foi um momento muito animado de convívio e partilha, com especial atenção a que se adoptassem medidas e comportamentos de cuidado da casa comum.

Na parte da tarde, foi uma revelação a adaptação pelo grupo de teatro da Universidade de Lisboa, dirigido por Júlio Martín, de O Homem que Plantava Árvores, de Jean Giono, dramatização que apresentaram no espaço do ginásio onde decorreu o encontro.

A seguir, foi tempo de testemunhos, de diferentes grupos seriamente empenhados em fazer a diferença e promover mudanças de atitudes e comportamentos de cuidadores da Criação: o foco de conversão ecológica dos Envendos, o grupo de alun@s do Liceu Camões empenhad@s em fazer a diferença, o grupo da Acção Católica Rural da região do Oeste (versão resumida).

O dia terminou com a celebração da Eucaristia, presidida por D. José Ornelas, bispo de Setúbal. Contou com um conjunto de cânticos que enriqueceu a liturgia graças a um grupo da Comunidade da Capela do Rato que se prontificou a essa participação. No final foi lido e assumido por todos os participantes o compromisso “Também somos Terra”.

A Agência Ecclesia fez uma reportagem deste encontro.

 

4 outubro 2018
Um tempo forte num caminho a prosseguir

Completa-se hoje, festa de S. Francisco de Assis, o período iniciado em 1 Setembro e dedicado pelo papa Francisco a Tempo para a Criação – contemplação, conversão, celebração.

A rede Cuidar da Casa Comum. A Igreja ao serviço da Ecologia Integral associou-se a esta iniciativa da Igreja universal e nela participou a seu jeito. Cabe recordar, dois momentos altos:

  1. a) a vigília de oração, realizada no dia 7 na Igreja do Coração de Jesus, em Lisboa, na qual participaram cerca de 130 pessoas, com a publicação do guião no site para que esta iniciativa pudesse ser replicada em outros locais;
  2. b) o encontro “Também somos Terra”, que ocorreu no passado dia 29 no Seminário de São Paulo, em Almada, um dia de encontro com reflexão e debate, testemunhos vários, caminhada orante, expressões artísticas (conto dramatizado e instalação), e que culminou com a celebração da Eucaristia presidida pelo bispo da diocese, D. José Ornelas. Cerca de 100 pessoas participaram neste dia de encontro e assumiram em conjunto um compromisso cujo texto disponibilizamos no site.

Durante todo o mês de Setembro, foram publicadas no site reflexões (1, 2, 3, 4) semanais sobre a mensagem do papa para o dia 1 Setembro, com abordagens variadas, bem como um elenco de orações (1, 2, 3, 4, 5) com base em textos selecionados na encíclica Laudato si’ por diferentes membros da Rede.

Anima-nos o propósito de prosseguir no caminho de uma Igreja ao serviço de uma ecologia integral. O site casacomum.pt será cada vez mais uma plataforma de informação, conhecimento, partilha de experiências e elo de ligação entre focos de conversão ecológica a criar em paróquias, movimentos, comunidades religiosas e outros espaços eclesiais.

Laudato si’!

 

Reflexões sobre a mensagem do papa Francisco

A mensagem do Papa nesta ocasião – como sempre, aliás – “dá que pensar”, ou seja, suscita diversas reflexões consoante os aspectos abordados fazem eco em nós; ou desperta a vontade de aprofundar e amadurecer o significado e consequência de alguns pontos no âmbito da espiritualidade. Alguns membros da Rede e outros Amigos aceitaram partilhar connosco o que pensaram ou abrir-nos caminho para irmos mais longe.

  1. Fernando Gomes da Silva: “As frases de Francisco que se seguem parecem escritas a pensar em Portugal.”
  2. José Carlos Belchior, SJ: “Não nos faltam razões, mas uma verdadeira e progressiva conversão ecológica.”
  3. Miguel Oliveira Panão: “como podemos melhorar o nosso relacionamento com a ‘irmã água’”.
  4. Bárbara e Filipe Lopes: “Água, dádiva de amor que não sabemos acolher”.

 

Unidos em oração

A sugestão foi para um momento de oração em cada dia do Tempo para a Criação a partir de pequenos excertos da Laudato Si’. Inspiradas na encíclica, preparadas por diferentes membros da rede, estas propostas são um convite a uma prece ou um louvor ao Criador, que reforce o nosso compromisso no cuidado da casa comum, que nos guie no aprofundamente de uma espiritualidade ecológica.

Casa Comum: encaremos os problemas com espírito orante, propõe fr. Lopes Morgado

À nossa sugestão de momentos de oração inspirada na Laudato Si’, respondeu fr. Lopes Morgado, ofmcap com um conjunto de propostas (ver aqui) em que, fundamentalmente, escolhe diferentes questões mencionadas na carta encíclica e lhes associa pequenos excertos das orações finais da Laudato Si´ ou do Cântico das Criaturas de S. Francisco de Assis, com um tocante efeito poético. Uma contribuição valiosa para rezarmos para o cuidado da casa comum, renovando o nosso empenho em proteger o dom da Criação.

Terço  em Fátima em união com encontro Também somos Terra, em Almada

«Na Encíclica o Papa escreve que Maria é “a mãe que cuidou de Jesus e que agora cuida com carinho e preocupação materna deste mundo ferido” (LS 241). Ela está conosco enquanto meditamos os mistérios gozosos.» Encontra aqui a proposta de meditação do terço rezado na capelinha das Aparições, em Fátima, no sábado, dia 29de Setembro, com a intenção de, “sob o olhar materno de Maria”, se unirem aos participantes no encontro Também somos Terra, que decorreu em Almada.

Vigília de Oração pelo Cuidado da Criação

No dia 7 de Setembro, realizou-se em Lisboa, uma vigília de oração pelo cuidado da Criação. Procurámos em conjunto viver um tempo-espaço de oração e recolhimento, em resposta à reflexão e apelo do papa Francisco à conversão a uma ecologia integral. D. Manuel Clemente, não podendo estar presente, enviou uma mensagem que foi lida perante a assembleia.

Mensagem de D. Manuel Clemente aos participantes na Vigília de Oração pelo cuidado da criação

Associo-me à Vigília pela Criação saudando fraternalmente cada participante e juntando a minha oração à vossa, com toda a convicção também. Como celebração é um tempo determinado. Como atitude tem de ser constante. O Evangelho pede-nos uma “vigilância” permanente em relação ao essencial, sem distração nem demora. No que à Criação respeita, a urgência redobra, face a todos os sinais que ela nos dá do seu mal-estar. O papa Francisco alertou-nos na encíclica Laudato Si’ para a dimensão do problema, que exige uma resposta verdadeiramente integral. Implica outra maneira de agir, outra maneira de sentir e pensar, em que ninguém pode ficar de fora daquilo que é tão básico e comum: a terra que temos, o ar que respiramos, os bens essenciais que repartimos, a conjugação harmónica de quanto somos – nós, os outros e a nossa casa comum. Em vigília, unimo-nos a esta realidade total, sentindo-a ainda mais como nossa, e à responsabilidade que temos para a cuidar, proteger e compartilhar. Unimo-nos, exatamente aí, ao próprio Deus Criador, com quem todos os recomeços são possíveis! Convosco, em amizade e oração, + Manuel Clemente

Encontra aqui o guião que preparámos para a vigília em Lisboa, o qual poderá usar – porque não? – num tempo de recolhimento e oração que queira promover na sua comunidade ou grupo, paróquia ou movimento.

 

Mensagem do Papa no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

Na sua mensagem neste IV dia de oração pela criação, o Papa dá graças ao Senhor pelo dom da casa comum e também por todos os que se empenham em aprender e concretizar um modo de viver no cuidado da criação. Diz-nos, no seu modo simples e directo: Devemos reconhecê-lo: não soubemos proteger a criação com responsabilidade. A situação ambiental, quer a nível global, quer em muitos lugares específicos, não pode ser considerada satisfatória. Com razão, surgiu a necessidade de uma relação renovada e saudável entre a humanidade e a criação, a convicção de que apenas uma visão do homem autêntica e integral nos permitirá cuidar melhor do nosso planeta para o benefício das gerações presentes e futuras, pois “não há ecologia sem uma adequada antropologia” (LS 118). Este ano, Francisco traz para o centro desta celebração a questão da água e, voltando a citar a encíclica Laudato Si’ a propósito do direito humano essencial de acesso à água potável e segura, lembra a “grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável” (LS 30). O papa Francisco fala depois da água e da sede na espiritualidade cristã e no que isso implica em “escolhas concretas e compromisso constante”: Para nós cristãos, a água é um elemento essencial de purificação e de vida. O pensamento vai imediatamente para o Batismo, sacramento do nosso renascimento. A água santificada pelo Espírito é a matéria pela qual Deus nos vivificou e nos renovou; é a fonte abençoada de uma vida que não morre mais. O Batismo representa também, para os cristãos de diferentes confissões, o ponto de partida real e indispensável para viver uma fraternidade cada vez mais autêntica no caminho da plena unidade. Jesus, durante a sua missão, prometeu uma água capaz de saciar para sempre a sede do homem (cf. Jo 4,14), e profetizou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37). Ir a Jesus, beber d’Ele significa encontrá-Lo pessoalmente como Senhor, haurindo da sua Palavra o sentido da vida. Que possam ressoar em nós com força as palavras que Ele pronunciou na cruz: “Tenho sede” (Jo 19, 28). O Senhor continua a pedir para ser saciado na sua sede, pois tem sede de amor. Ele pede-nos para Lhe darmos de beber nos muitos sedentos de hoje, para então nos dizer: “Eu estava com sede e destes-me de beber” (Mt 25,35). Dar de beber, na aldeia global, não envolve apenas gestos pessoais de caridade, mas escolhas concretas e compromisso constante de garantir a todos o bem primário da água. Além das fontes e bacias hídricas, também os mares e oceanos precisam do nosso cuidado urgente e eficaz. Há que não esquecer que Deus “acompanha constantemente a sua criação”, o que não nos dispensa, porém, da responsabilidade de a proteger, do desafio de alcançar uma “cooperação eficaz entre os homens de boa vontade para colaborar na obra contínua do Criador”. Assim, diz ainda Francisco, que “para essa emergência somos chamados a comprometer-nos, com uma mentalidade activa, rezando como se tudo dependesse da Providência divina e agindo como se tudo dependesse de nós”. O Papa propõe-nos ainda uma série de intenções, começando por “que as águas não sejam um sinal de separação entre os povos, mas de encontro para a comunidade humana” e incluindo uma referência particular às jovens gerações, para terminar com um desejo-proposta a todas as comunidades cristãs: “contribuam cada vez mais concretamente para que todos possam usufruir desse recurso indispensável, no cuidado respeitoso dos dons recebidos do Criador, em particular dos cursos de água, mares e oceanos”.

 

Tempo para a Criação – Oração e acção pela Criação

Uma oportunidade para:

  • agradecer a Deus pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado;
  • invocar a misericórdia Deus pelos pecados cometidos contra a Criação;
  • pedir a Deus a graça de uma profunda conversão ecológica;
  • renovar a nossa adesão pessoal à própria vocação de guardiões da Criação.

O nosso convite ou desafio

  • Tome a iniciativa de celebrar o Tempo para a Criação na sua família, paróquia, comunidade religiosa ou grupo de amigos.
  • Aproveite as nossas sugestões.
  • Partilhe connosco as suas iniciativas de oração e de ação.