Ideias e factos

 

Plastic Bank transforma lixo em dinheiro para os pobres

Dois canadianos criaram o conceito de “plástico social” e fundaram uma empresa, a Plastic Bank, para concretizar a sua ideia. Procuram atacar dois problemas: reduzir a quantidade de plástico que vai parar ao mar e constitui uma ameaça muito preocupante à vida marinha, e não só; ao mesmo tempo que proporcionam a populações em pobreza extrema um meio de obterem algumas receitas e de aquirirem o que precisam. Leia mais no Diário de Notícias.

 

Voltemos ao vasilhame

No Reino Unido, seguindo o exemplo da Noruega e da Alemanha, vão usar máquinas que recebem garrafas de plástico e vidro vazias e devolvem os 25 cêntimos de depósito que foram pagos pelo consumidor quando comprou as bebidas. Pensa-se poder chegar a uma taxa de reciclagem de 99 por cento, diz Miguel Esteves Cardoso. Na sua coluna no Público, o autor aponta outros exemplos e fala de “fazer como antigamente”.

 

Wonderful World

Que mundo maravilhoso! – repete David Attenborough, dizendo a letra da canção de Louis Armstrong enquanto desfilam perante os nossos olhos imagens de extasiar do programa da BBC – é a criação que nos está confiada e da qual nos cabe cuidar! Deixe-se encantar escutando D. Attenborough (pode ser com legendas em português) ou ao som da voz inconfundível de Louis Armstrong (também com opção legendada).

 

22 de março – Dia Mundial da Água

Logo a seguir ao Dia Mundial da Árvore ou Dia Internacional da Floresta (21 de março), celebra-se o Dia Mundial da Água. A propósito destas datas saiu um artigo, intitulado “Os quatro mandamentos do Papa sobre o meio ambiente”, que recorda alguns parágrafos da Laudato Si’ em que Francisco refere o contexto mais alargado dos efeitos trágicos da escassez de água – questões que convém não ignorar, pois requerem uma resposta coletiva e empenhada, que se vai tornando cada vez mais urgente, dos moradores da Casa Comum. O artigo pode ser lido em espanhol no Religión Digital, mas também traduzido para português do Brasil na Revista ihu on-line.

 

E se em vez de implodir um edifício o desconstruíssemos?

Na Dinamarca e Alemanha, há edifícios inteiramente construídos com materiais reciclados. Em Portugal, pouco ou nada se faz nesse sentido: a lei determina que se incorporem cinco por cento de materiais reciclados em obras públicas. Mas, a partir de 2020, na União Europeia, a percentagem obrigatória será de 70 por cento. Aline Guerreiro, “uma arquitecta contra as novas construções”, como ela própria diz, tem-se empenhado em fazer vingar esta forma de economia circular, com o apoio da Quercus.

Deve-se atender ao ciclo de vida dos materiais, “de onde foram extraídos, como vão ser fabricados, transportados, utilizados e, no fim da vida útil, como podem ser reintroduzidos”. Há que sensibilizar e educar, a questão da sustentabilidade tem de ser incutida. Nas universidades, e em Arquitectura em particular, tem de se tornar “uma ideia transversal a todo o curso”, diz Aline Guerreiro, que deixa uma sugestão que bem poderia fazer escola: “Os projectos deveriam passar a ser entregues com um projecto de desconstrução”. Leia mais sobre esta aposta na sustentabilidade.

 

Não desistam: há muito que ainda podemos fazer pelo nosso planeta

Esta é a mensagem que Fiona Gell, que se dedica há mais de 20 anos à ciência marinha e preservação, quer fazer chegar, antes de mais, às crianças, que vêem constantemente notícias e documentários sobre o ambiente e as espécies ameaçadas que podem incutir nelas desespero. Sem ignorar casos perdidos e situações muito preocupantes, e uma situação geral que requer o empenho de todos em corrigir comportamentos, ela apercebeu-se de que as crianças precisam de saber que também há histórias de sucesso e finais felizes, para os quais todos podemos contribuir. Leia o artigo de F.G. no The Guardian, onde encontra sempre outras ligações complementares.

Laudato Sí’: um texto impregnado de Teilhard de Chardin

Na sequência da publicação da Laudato Si’, a revista IHU on-line publicou uma entrevista muito interessante de uma professora universitária brasileira, Deborah de Paula, que fez uma tese em Teilhard de Chardin e que aborda muito bem a proximidade da carta encíclica (e, claro, do Papa Francisco) com o pensamento de Teilhard de Chardin.

 

Consumismo ou desapego

“A maior parte dos luxos e muitas das chamadas ‘comodidades’ não só não são indispensáveis, como são, pelo contrário, verdadeiros obstáculos ao progresso da humanidade.” Com esta declaração bem incisiva, o cardeal Gianfanco Ravasi, num dos seus pequenos textos que convidam a parar e reflectir, contrapõe o consumismo geralmente impensado ao convite quaresmal a soltarmo-nos de pesos que nos tolhem no corpo e na alma. Leia o texto na íntegra em português (SNPC) ou em italiano (Avvenire).

 

Mudanças climáticas: problema do presente, não de um futuro longínquo

“Se não fizermos nada, há cidades na Europa que vão ficar submersas e outras que podem ficar sem água.” diz Selma Guerreiro, uma investigadora portuguesa da Universidade de Newcastle que coordenou um estudo inédito sobre alterações climáticas em 571 cidades europeias, numa entrevista à Visão online.

 

Há que “encontrar novos conceitos de prosperidade”

“A sustentabilidade do planeta obriga-nos a encontrar novos conceitos de prosperidade.” São palavras de Filipe Duarte Santos, professor jubilado de Física da Universidade de Lisboa, que preside ao Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e é um especialista na área das alterações climáticas. Numa entrevista ao Jornal de Negócios, em Janeiro passado abordou ainda questões como fiscalização do cumprimento das leis, a política para a floresta, a aceleração do tempo, reciclagem e economia circular, hábitos que têm de mudar dado o seu custo ambiental. Ver entrevista completa.

 

Uma só família humana, cuidar da casa comum” – tema da Semana Nacional da Cáritas Portuguesa

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, foi entrevistado pela Agência Ecclesia, a propósito da Semana Nacional da Cáritas – 26 de fevereiro a 4 de março –, que este ano tem como tema “Uma só família humana, cuidar da casa comum”. Ao longo da entrevista no seu habitual estilo directo, falou, entre outros tópicos, do Planeta que tem “em perigo a sua sobrevivência”, da preocupação de ação transformadora da Cáritas, da maior vulnerabilidade dos pobres aos efeitos destruidores dos fenómenos extremos causados pelas alterações climáticas, e ainda dos graves problemas que enfrentam hoje tantos jovens, como consta no relatório Os jovens na Europa precisam de um Futuro, apresentado no início desta semana. Ver e ouvir aqui

 

Testemunho sobre uma paróquia em conversão ecológica, em França

Poucos dias após o lançamento formal do Label Église Verte, em França, a Radio Notre Dame entrevistou Marie-Tiyi Jalon, professora de História e Geografia, casada e mãe de três filhos, da paróquia de Sainte Geneviève d’ Asnières et de Notre Dame du Pérpetuel Secours, uma das paróquias-piloto do Label Église Verte. Salientamos alguns pontos do seu testemunho aqui.

 

A rapariga que calou o mundo durante seis minutos

Severn Cullis-Suzuki continua a dedicar a sua vida à defesa do meio ambiente e das culturas, mas ficou conhecida em 1992 como “A rapariga que calou o mundo durante seis minutos”, quando discursou na Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, em representação da ECO – Environmental Children’s Organization, do Canadá. O vídeo da sua comunicação tornou-se viral e ainda hoje merece ser ouvido.

 

Martin Rees: as ameaças vêm de nós próprios

O astrofísico Martin Rees, membro da Pontifícia Academia das Ciências, numa entrevista ao Público, a propósito do seu livro Para o Infinito – Horizontes da Ciência, recentemente editado em Portugal, falou de avanços da ciência que, sem controle, podem ser um perigo, e de diferentes ameaças que pendem sobre o nosso futuro. Por isso o século XXI é crucial. Eis alguns excertos:

«Durante a maior parte da nossa história, as ameaças vieram da natureza – doenças, sismos, inundações, etc. –, mas agora vêm de nós próprios. Entrámos no que alguns chamam a “era antropocénica”.»

«[A encíclica Laudato Si’] foi a primeira declaração clara de um Papa de que os seres humanos têm o dever de preservar o ambiente, de que a natureza tem valor por direito próprio e que devemos preservar o resto da criação tão bem como os seres humanos.»

«[O avanço da ciência] é acompanhado por tendências sociais que podem ser negativas e estas tecnologias podem ser usadas de forma indevida.»

«Independentemente do que pensemos sobre a Igreja Católica, e eu não sou crente, ela tem um alcance global, pensa a longo prazo e quer saber dos pobres no mundo. É por isso que pode ser eficaz.»

Entrevista completa aqui.

Plástico, o flagelo dos oceanos

David Attenborough recorda como há 80 anos se considerava o plástico uma maravilha, porque não se decompunha. A propósito da continuação dos seus documentários O Planeta Azul, que incidem não só nas maravilhas da vida marinha, mas também nas ameaças que pendem sobre ela, este naturalista explicou numa entrevista ao The Guardian que a poluição do plástico, as alterações climáticas e o excesso demográfico são problemas demasiado urgentes para serem deixados nas mãos dos ecologistas apenas.

Entrevista na íntegra, em inglês, aqui.

 

Nós somos natureza, diz Satish Kumar

«Também somos feitos dos mesmos elementos: terra, água, ar, fogo. E. para mim. o quinto elemento é a imaginação. A natureza também é criativa; ela é a própria imaginação. Então, essa união entre homem e imaginação é essencial, se desejamos criar um futuro sustentável para a humanidade.»

Antigo monge jainista e activista de longa data pela paz e pelo ambiente, o indiano Satish Kumar fala sobre a necessidade de cuidarmos do nosso planeta. Ecologia, justiça social, economia, espiritualidade, está tudo relacionado. Pode ouvir mais aqui.

 

Falta tempo ao futuro

“Falta tempo ao futuro” é o título de um artigo de opinião de Viriato Soromenho Marques (Diário de Notícias, 17 Janeiro 2018), a propósito dos primeiros episódios do documentário 2077 – 10 Segundos para o Futuro, a ser transmitido pela RTP. Destacamos apenas alguns fragmentos do seu texto.

«O documentário da RTP em quatro episódios 2077: 10 Segundos para o Futuro oferece ao grande público uma oportunidade de reflexão – fundamentada cientificamente e esteticamente sugestiva. […]

Incidindo sobre o estado vital do planeta, o episódio debruça-se, com objetividade e clareza, sobre as agressões estruturais que a ação humana está a causar ao planeta. Não são danos secundários, mas feridas sistémicas de alcance existencial […]

Não chegaremos ao melhor 2077 possível se não investirmos na educação ética dos cidadãos, na melhoria das instituições e no fomento de uma cultura política da participação cívica e da solidariedade global. […]

Hoje, na nossa guerra por um futuro sustentável, que deveria ser em nome de toda a humanidade, estaremos condenados a vegetar miseravelmente se estivermos à espera do último grito da tecnologia antes de arriscar um passo em frente. Se quisermos ganhar o tempo que nos falta para viabilizar um futuro digno temos de começar desde já a fazer as escolhas políticas justas e as decisões moralmente válidas.»

Pode-se ler o artigo completo aqui. Encontram-se os quatro episódios de 2077 – 10 Segundos para o Futuro aqui.

 

Cinco bombas sobre a humanidade, um artigo de Anselmo Borges

[…] A ameaça maior para a Humanidade na actualidade tem que ver com o seu excesso de poder, de tal modo que, sem diálogo, sem uma mudança de paradigma, ela pode autoeliminar-se. Quais são essas cinco bombas e o seu risco?
Texto integral aqui.

 

Ritmo das mudanças climáticas é ‘ameaça existencial para o planeta’

Segundo a Revista ihu on-line, “a agência meteorológica das Nações Unidas alertou para que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá ‘repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo’, intensificando, por exemplo, os eventos climáticos extremos”. Leia o artigo na íntegra aqui.

 

Um planeta sem fôlego – Reduzir, imaginar, agir!

Os recursos constituem o motor de toda a sociedade humana. Assumem, mesmo, a base de toda a vida possível. Os seres humanos não conseguem assegurar a sua subsistência sem terem, pelo menos, um teto para se abrigar, roupa para se vestir e comida para se alimentar. Da mesma forma, as sociedades têm necessidade de ser “alimentadas” por componentes extraídos da natureza, para assegurarem uma vida digna aos seres humanos que compõem essas mesmas sociedades e uma certa estabilidade social e política, que são necessárias à paz.

Atualmente, erguem-se vozes para denunciar a progressiva escassez de recursos disponíveis. Algumas pessoas falam do pico convencional da produção petrolífera que teria sido excedido já no decorrer dos anos 2000. Outros relembram que, em cada ano, ultrapassamos, cada vez mais cedo, “o dia da exaustão da Terra” – dia 2 de agosto, em 2017 – ou seja, o dia, em que “a humanidade já consumiu, nesse ano, todos os recursos que a Terra tem capacidade para renovar num ano”. Outros, ainda, salientam o esgotamento previsto de alguns minerais “estratégicos” para o sistema de desenvolvimento industrial.

O que se passa realmente? As sociedades avançam, de facto, para a falta de recursos essenciais? Trata-se de uma inevitabilidade? Esta constatação implica transformações económicas e políticas profundas?

A nossa intuição, ao realizar este estudo, é que os limites com que nos confronta o nosso planeta nos convidam a desencadear verdadeiras ruturas culturais. Mais do que reformas simples visando corrigir um sistema que consideramos doente, estas mudanças requerem uma transformação da nossa relação com o mundo, com a natureza ou mesmo com o nosso conceito de felicidade.

[Do texto de apresentação de um estudo da Comissão Justiça e Paz da Bélgica, publicado em janeiro de 2018; original aqui – tradução de Maria Fortunata Dourado]

 

Da ecologia exterior à ecoespiritualidade

Assim se intitula uma reflexão muito oportuna de Manuela Silva, partilhada no blog Ouvido do Vento em Julho passado. A autora fazia notar que “esta temática, ainda que devendo estar presente em diferentes regiões do Globo e espaços sócioculturais distintos, tem redobrada actualidade no mundo ocidental de que fazemos parte”. Texto na íntegra aqui.

“Quatro atitudes perversas, que certamente não ajudam”

Em 7 de Novembro de 2017, o papa Francisco dirigiu uma mensagem à COP23 (Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas), reunida em Bona, Alemanha, entre 6 e 17 de Novembro. Destacamos apenas um pequeno excerto:

[…] desejo reafirmar o meu «convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. […] Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados [por vários motivos que] vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas» (cf. Enc. Laudato si’, 14). Deveríamos evitar cair nestas quatro atitudes perversas, que certamente não ajudam a busca honesta nem o diálogo sincero e produtivo sobre a construção do futuro do nosso planeta: negação, indiferença, resignação e confiança em soluções inadequadas.

Encontra a mensagem completa aqui.

 

Aviso de Cientistas do Mundo à Humanidade – 2.ª advertência

Foi há 25 anos que 1700 cientistas de renome lançaram o primeiro alerta para a rota de colisão que contrapunha a humanidade e a natureza. Em Novembro passado, foram mais de quinze mil, de 184 países, os signatários do segundo Aviso de Cientistas do Mundo à Humanidade. O texto, em português, encontra-se aqui.

 

Ana Pêgo – Plasticus maritimus

Por ano, oito milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos. É com esta matéria-prima que Ana Pêgo trabalha criativamente no seu projeto Plasticus maritimus para nos alertar sobre o desastre ambiental que está espelhado nas nossas praias. Já criou um esqueleto de uma baleia com o plástico que vem dar à costa e utiliza o restante lixo para criar… exposições, e ensinar os mais novos

 

Lixo electrónico

“Em 2016, o mundo produziu lixo eletrônico equivalente a 4,5 mil torres Eiffel” – este o título de um artigo que dá conta de um relatório publicado pela ONU em Dezembro passado. No fim do artigo, estão ligações para mais uma série de artigos relativos ao mesmo assunto. Ver aqui.

Também pode ler sobre o relatório, em inglês e noutras línguas, no site do UN News Centre, onde  tem a ligação para o relatório na íntegra. Ver aqui.