Documentação

Carta encíclica Laudato Si´

 

Mensagem do papa Francisco ao patriarca Bartolomeu, Junho 2018

Na mensagem dirigida pelo Papa ao patriarca ortodoxo Bartolomeu I, por ocasião do simpósio ecológico internacional realizado em Atenas de 5 a 8 de Junho – “Toward a Greener Attica: Preserving the Planet and Protecting its People” –, Francisco retoma a preocupação já expressa na Laudato Si’: “Podemos estar a condenar as gerações futuras a uma casa comum em ruínas” (cf. LS 160). A crise ecológica, continua o Papa, deve levar-nos a fazer um sério exame de consciência relativamente à protecção do planeta confiado ao nosso cuidado (cf. Gn 2,15).

A criação deve ser “vista como uma dádiva partilhada e não como uma possessão privada”; a crise que enfrentamos nasceu de o homem “aspirar a controlar e explorar os recursos limitados do nosso planeta, ao mesmo tempo que ignora os membros vulneráveis da família humana” (cf. LS 2).

Cuidar da criação cabe a todas as pessoas de boa vontade, mas dos cristãos espera-se uma resposta inequívoca. Assim, o papa Francisco expressa a sua esperança em que comunidades cristãs e pessoas de boa vontade colaborem activamente a nível local no cuidado da criação e para um desenvolvimento integral e sustentável.

 

Para Oração dos Fiéis – 2

Nestas duas sugestões as intenções têm muito presente a conversão à ecologia integral, abrangendo o meio físico, mas também o social, a economia, a justiça e a paz, a espiritualidade.

 

Carta pastoral dos bispos da América Latina e das Caraíbas

“Discípulos Misioneros Custodios de la Casa Común – Discernimiento a la luz de la encíclica Laudato Si” é um título que desafia à leitura. Começa por oferecer um excelente guia para um melhor conhecimento da Laudato Si’, sublinhando ideias mestras a par de citações da encíclica. A seguir, vira-se para a realidade daquele continente e menciona iniciativas da CELAM nos últimos anos, denunciando situações sociais graves, mas também procurando lançar pontes. Aponta então os holofotes para o chamado “extractivismo”, isto é, a crescente actividade de extracção de matérias-primas, feita cegamente com o fito no lucro e criando uma série de problemas ambientais e repercussões negativas para as populações locais, sobretudo as mais pobres. E, posto isto, lembra que temos responsabilidade pela criação, que é um projecto do amor de Deus, e exorta as comunidades a não ficarem passivas e conformadas. Retorna à Laudato Si’ para falar do “evangelho da Criação” e do dever que toca a todos de cuidar desse dom, para instar a que se alterem as más práticas e se tomem medidas urgentes com sentido do bem comum e, em particular, respeitando as populações indígenas que devem participar nas decisões que as afectam. É preciso “criar uma nova cultura do cuidado da vida” que começa em casa, desde logo com acções concretas ao alcance de todos, como as que o Papa sugere na encíclica. O último capítulo, sobre a conversão ecológica integral, exorta à mobilização de paróquias, escolas e universidades, bairros, dioceses, seminários e casas religiosas, todos os grupos e comunidades e, claro, a família, “lugar da formação integral”.

 

«Fundamento de uma ecologia integral segundo Teilhard de Chardin»

Ecologia integral é, sem dúvida, um conceito mais profundo e abrangente do que aquele que, em geral, temos em mente ao referir, a torto e a direito, “ecologia”. O Papa, na carta encíclica Laudato Si’, desafia-nos a ir mais longe e abarcando toda a Criação. Esta noção, de que “tudo está interligado”, como Francisco insiste ao longo da sua encíclica, remete-nos de imediato para Teilhard de Chardin. Essoutro jesuíta, pensador à frente do seu tempo e que buscou sem descanso a visão que unia dois mundos tratados habitualmente em separado, disse do seu percurso interior:

Por educação e formação intelectual, pertenço aos “filhos do Céu”. Mas por temperamento e estudos profissionais sou um “filho da Terra”. […] deixei que, no fundo de mim, reagissem livremente entre si duas influências aparentemente contrárias. Ora, ao fim desta operação, e após 30 anos consagrados à perseguição da unidade interior, tenho a impressão de que uma síntese se operou naturalmente entre as duas correntes que me solicitam. Isto não matou aquilo. Hoje, creio provavelmente melhor de que nunca em Deus, e sem dúvida mais do que nunca no Mundo. [in A Minha Fé, 1934]

Maria de Lourdes Paixão, da Associação dos Amigos de Teilhard de Chardin, disponibilizou-nos um texto por si elaborado de grande interesse para quem deseje abordar ou aprofundar o conhecimento do pensamento e das obras mais marcantes de Teilhard. Sugerimos deixarem-se guiar por esta exposição de M.L.P., numa rota para percorrer devagar, detendo-se aqui e ali, ou fazendo um desvio sugerido por alguma(s) das inúmeras referências a outros pensadores.

 

O nosso proceder na casa comum

Uma meditação sobre temas transversais da Laudato Si’ – eis uma proposta, que podemos dizer “irrecusável”, para aprofundar o sentido e consequência para nós da Laudato Si’. O padre José Carlos Belchior, sj disponibilizou generosamente este convite a que nos perscrutemos, o qual preparou para Exercícios Espirituais.

 

Sugestões para a Oração dos Fiéis das missas dominicais

Estas orações – partilhadas por Maria José Mello Antunes e Maria Fortunata Dourado, membros da rede Cuidar da Casa Comum – exprimem louvor e prece, intenções que se vêm tornando mais presentes no caminho de conversão ecológica.

 

“Espiritualidade bíblica da criação para uma ecologia integral: desafios da Laudato Si’”

Este título já indica a abordagem e abrangência do artigo que o padre Armindo dos Santos Vaz, membro da Comissão de Apoio Teológico e Científico, nos oferece, numa linguagem acessível e que prende a atenção da primeira à última página. Desafia-nos com estas palavras iniciais:

A encíclica do Papa Francisco Laudato si’ abriu um alargado e prolongado debate que envolve o social, o religioso e a própria Bíblia. A sua estimulante proposta não tem só alcance político mas também ético e espiritual, qual ponte entre a contemplação e a acção. Mostra que a espiritualidade projecta luz na solução dos problemas do ambiente, ligando a natureza com a comunidade humana. É uma “ecologia integral”.

E vai-nos guiando numa releitura de textos da Escritura que inspiram uma espiritualidade da criação. Passo a passo, mergulhamos na poesia entranhada nessa narrativa não linear de revelação de Deus e do próprio homem no contexto da criação, da “natureza inteira, contemplada não só como criada, mas também como envolvida no plano amoroso e salvífico de Deus”.

A arte literária e a força significante do mito têm o condão de levar o leitor das narrativas bíblicas de criação a sonhar com a utopia de um admirável mundo impoluto, como saído das mãos de Deus. A ecologia global será mais bem-sucedida se os seus agentes formarem um pensamento humanizado e humanizador, sustentado pela visão global e harmónica do universo, contida nas narrativas de criação. Elas contribuem para formar uma consciência de responsabilidade humana e de respeito admirado pela integridade do mundo: compreendendo-se como relacionado com Deus na sua origem, o ser humano, hoje como em nenhuma outra geração, tem mais razões para cultivar uma paz activa com o mundo em que mora. […] A utopia mantém alta a chama da procura de mais qualidade de vida e de melhor convivência com a natureza; faz descer à Terra a dimensão do Céu.

 

Homilias quaresmais, com ecos da Laudato Si’

Graças à generosidade do P. António Martins, que faz parte da nossa rede e, mais especificamente, da Comissão de Apoio Teológico e Científico, temos três homilias para aprofundar a vivência da Quaresma, com inspiração na encíclica Laudato Si’:

  • Homilia 1 – Quaresma: Um tempo para educar o desejo
  • Homilia 2 – Quaresma: A oração como relação (contemplativa) com a criação
  • Homilia 3 – Quaresma: Renunciar para partilhar: ou a sabedoria da esmola

 

Na outra ponta da casa…

Podemos dizer assim, já que a Terra é a nossa casa comum e é do outro lado do Planeta que chegam vozes consonantes:

Austrália

Laudato Si’ – Um apelo urgente à acção

Vem do lado de lá do mundo um pequeno vídeo (em inglês) que foi produzido, em 2017, pela Catholic Earthcare Australia, da Conferência dos Bispos Católicos daquele país, para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que se celebra a 1 de Setembro. Alguns responsáveis católicos apresentam a sua perspectiva da encíclica Laudato Si’ e apelam a toda a comunidade católica para que aja. Destinado a escolas, paróquias e outras comunidades, convida à reflexão, ao diálogo e a acções concretas, de indivíduos, famílias, comunidades, até ao nível nacional, todos cuidando do planeta Terra, a nossa casa comum.

Nova Zelândia

Também nos antípodas, encontrámos uma Declaração sobre os Problemas Ambientais, da Conferência dos Bispos Católicos da Nova Zelândia. Faz pensar o facto de que data de há 12 anos e, sintomaticamente, tem uma actualidade impressionante.

 

Guia de Leitura da encíclica Laudato Si’

Para uns esta carta encíclica lê-se de fio a pavio e sem detença, para outros é um texto para ir “mastigando” ou saboreando paulatinamente. Sem dúvida que o seu conteúdo nos desafia desde o início a um aprofundamento do significado e implicações da nossa conversão ecológica, e a uma ecologia integral.

O guia de leitura do jesuíta norte-americano Thomas Reese, traduzido para português no Brasil, destina-se a facilitar a reflexão, que o autor sugere que seja feita em grupo e abordando um capítulo de cada vez. E nota: «Esta encíclica é ótima para uma leitura individual, mas ainda melhor para uma leitura coletiva, ou para uma discussão em grupo. Ler e discutir a encíclica em um grupo é exatamente a finalidade do documento, pois do início ao fim há chamadas para o diálogo.»

 

Acordo de Paris sobre as alterações climáticas

O Acordo de Paris é um acordo mundial sobre as alterações climáticas alcançado em 12 de dezembro de 2015, em Paris. O acordo apresenta um plano de ação destinado a limitar o aquecimento global a um valor “bem abaixo” dos 2 °C, e abrange o período a partir de 2020.

Principais elementos do novo Acordo de Paris:

  • Objetivo a longo prazo: os governos acordaram em manter o aumento da temperatura média mundial bem abaixo dos 2 °C em relação aos níveis pré-industriais e em envidar esforços para limitar o aumento a 1,5 °C
  • Contributos: antes e durante a conferência de Paris, os países apresentaram planos de ação nacionais abrangentes no domínio das alterações climáticas para reduzirem as suas emissões
  • Ambição: os governos acordaram em comunicar de cinco em cinco anos os seus contributos para estabelecer metas mais ambiciosas
  • Transparência: aceitaram também apresentar relatórios aos outros governos e ao público sobre o seu desempenho na consecução das suas metas, para assegurar a transparência e a supervisão
  • Solidariedade: a UE e outros países desenvolvidos continuarão a prestar financiamento à luta contra as alterações climáticas para ajudar os países em desenvolvimento a reduzirem as emissões e a criarem resiliência aos impactos das alterações climáticas.

As alterações climáticas são uma questão importante a nível mundial, que afeta todas as pessoas. Esta cronologia abrange o processo que levou à conclusão de um novo acordo mundial juridicamente vinculativo sobre as alterações climáticas – o Acordo de Paris e o seu seguimento. Abrange, igualmente, o papel da UE neste processo.                       [Texto do Conselho da União Europeia]

Encontra o documento em inglês aqui, e também pode escolher o texto noutra língua ou em word aqui.

 

“Como cuidar de nossa Casa Comum”, Leonardo Boff (22/08/2015)

Neste texto-interpelação, Leonardo Boff apresenta, em traços breves, um preocupante boletim de saúde do Planeta e diz-nos o que é cuidar da Terra, dos recursos que ela oferece, da humanidade e seu património, dos sonhos e do sagrado que nos habita.