Luísa Schmidt, socióloga e investigadora no ICS-ULisboa e que integra a Comissão de Apoio Teológico e Científico da rede Cuidar da Casa Comum, escreveu-nos um texto conciso, muito claro e elucidativo, a propósito da controvérsia em torno da aplicação do Plano da Orla Costeira Caminha-Espinho e à luz da encíclica Laudato Si’.

Leia na íntegra o texto que, como se costuma dizer, tem princípio, meio e fim, deste modo:

A realidade indesmentível das alterações climáticas tem uma das suas expressões maiores nos impactos costeiros. Portugal é um dos lugares mais vulneráveis da Europa. Pela sua extensa exposição litoral à vasta massa oceânica e pela fragilidade da sua linha de costa, em grande parte arenosa e em défice de alimentação de sedimentos há mais de meio século. […]

À luz da encíclica Laudato Si’, do papa Francisco, este caso defronta transversalmente todos os valores com que a questão ambiental oferece hoje uma oportunidade para restaurar ao mesmo tempo o mundo onde vivemos e a sociedade que somos. […]

Os erros afinal historicamente recentes da forma como ocupámos a linha de costa em Portugal geram hoje situações de ameaça, mas também podem ser uma oportunidade para consagrar várias lições, entre as quais a dos valores inerentes à nossa relação com o ambiente. À actual linha de costa o impacto das alterações climáticas fará inevitavelmente suceder uma outra linha de costa, numa posição mais recuada em terra. É a nós que cabe hoje preparar em conjunto e em acordo o seu novo lugar.